quinta-feira, 10 de maio de 2012

Palavras Depois
Ah! Muitas Palavras
Muitas palavras depois
De emoções diferentes
De sorrir, de ficar triste
Existir para depois pensar
Ou pensar e depois existir
Na paisagem dos humanos
Ruas, edifícios das cidades
Mesas, e cadeiras das casas
Eu só sei, o que apenas sou
Sem a perda de mim mesma
Olhos brilho cor de café claro
Alma cheiro de limão cortado
Tatuagem vermelha no coração
Veleiro muito, e muito distante
Pouso da andorinha nos mastros
Cabelos emaranhados aos ventos
Mulher de pele queimada do sol
Corpo no sobe desce com o mar
E não sei se quero ir para longe
Eu não quero me perder de mim
Quero me achar de olhos fechados

                                                                                                           Maria José Salles Callado / 03.05.12
Conexão Duas Rodas
Havia uma forte conexão física
Bicicleta na corrida contra os ventos
Duas rodas de movimentos existidos
Não tendo mais controle nem limites
Corrida compartida, velocidade maior
No meio da cidade grande, corro-me
Com bolsa a tiracolo, cabelo nos olhos
Atravesso noites, nas ruas iluminadas
Farol vermelho... De paradas bruscas
Faixas brancas... De passagens livres
Retorno abrupto, na direção contraria
Buscando passado, pedalo, pedalo, pedalo
Viro à direita, e no trafego quase parado
Encosto a bicicleta no muro, digito texto
Mensagem de texto; eu apenas te amo
Você encontraria um outro eu? Eu sei
Nunca mais vai existir um outro você
Isto já faz algum tempo, muito tempo
Deixo minha bicicleta além da estrada

Maria José Sales Calado • Brasil / 14.04.12
Foto: Gabriella Zanella / Bruxelas • Bélgica
Eu Sou POESIA...
 Poeta escrevendo
Digitando palavras
Sonhando
Dormindo versos
Acordando poesias
Palavras plantadas
Palavras e paisagens
Eu muitas histórias
Vida varios poemas
Eu muitas emoções
Fome de palavras
Poesia começo meu
Pedaço solto de mim
Simplesmente eu...
Poesia no rosto escrita
Sou eu, palavras e frases

Maria José Salles Callado / 27.03.10

domingo, 22 de abril de 2012

      Quadro Sem Moldura
Quadro não terminado
Sem moldura na parede
Cores uma pintura rosto
Textura beleza indefinida
Rosto abstraído das cores
Esboço do pálido amarelado
Traços pequenos e maiores
Rabiscos cores adormecidas
Cores misturadas ao branco
Rosto enquadrado colorido
Efeito luminoso de pontos
Outros matizes diferentes
Quem eu sou? Mas eu sou?
O meu eu ganhando cores
Que eu seja o meu começo
Um silêncio cheio de cores
Dia acabando, noite inteira
Estrela noite, rosto do céu
Pintura nascendo do nada...
  
Maria José Salles Callado / 20.04.10

sábado, 21 de abril de 2012

Dia de Chuva
Era madrugada de muito frio
Antes mesmo de chegar o dia
Nuvens carregadas por ventos
Céu azul cada vez mais negro
Desaba uma chuva torrencial
 De ventos que deitam o capim
Árvores que estalam e gemem
Que se curvam, que se dobram
Tempestade que vai chegando
Chuva que escorre do telhado
Poças de água... Mesa molhada
Cadeira virada, pernas para o ar
Estou com as roupas ensopadas
Estou deitada, costas pra cima
Abro os olhos quase dormindo
Sonho com você, você comigo
Existimos nos nossos sonhos
Sonhos existidos um no outro
Acordo espaço-tempo do sonho
Sol que nasce, e estou sozinha!

Maria José Salles Callado / 30.04.11

segunda-feira, 26 de março de 2012

SONHO IMPROVISADO...

Era de manhã
De um novo dia
Silhuetas e sombras
Saia de casa
Escute a imaginação

Deixe para trás o sonho
Deixe para  trás o amor
Trema de frio

Tenha duvidas
Sinta cansaço
Sinta fome
Abra todas as janelas
Sem grades saia voando
Percorra mares azuis
Ondas que se erguem
Imensas como edifícios
Concreto acima de você
Comunicação real e virtual
Verdades e mentiras
Conto de fadas destruído
Varinha mágica desativada
Muros desmoronados

Os sonhos desistidos
Sonhos improvisados

Arles - Provence- França ....Uma porta fechada-2009
Maria José Salles Callado
Em 11.08.09
Rêves Improvisés

C’etait le matin
D’un jour noveau
Silhouetes et ombres
Sort de la maison
Ecoute l’imagination
Laisse le rêve derriére toi
Laisse l’amour face a toi
Tremble de froid
La sensation de fatigue
La sensation de faim
Ouvre toutes les fenêtres
Sans barreaux et s’envoler
Traverse les mers
Vagues qui montent
Immenses comme un edifice
En beton au dessus de toi
Communication réele et virtuelle
Veritées et mensonges
Conte de fées detruit
Baguette magique desactivée

Les murs se sont effondrés
Rêves qui se desistes...
Rêves improvisées...
                                                                                                                                                          Ecrit par Maria Jose Callado / Brasil / 11.08.09
                                                                                                                                                          Traduit par Linda Corberon / France

sábado, 17 de março de 2012

Arco-Nuvens Um dia, da quase noite, de um entardecer
Sol nas nuvens do céu, começo do cair águas
Arco-nuvens, reflexo da luz amarelada do sol
Nas águas cristalinas claras, da
chuva caindo
Transparência de belas cores riscando os céus
Arco-horizonte de um expectador consciente
Redefinição colorida, espectro da existência
Violeta... Anil... Azul... Verde... Vermelho
Textura indefinida, de múltiplos matizes, eu
Metade de mim violeta, e outra metade azul
Efeito luz, degraus de cores, rabiscos infinitos
Arco-íris ilusão óptica, montanhas cores adiante

  Contorno
 do céu azul-verde-violeta, traços bonitos
 Traçados coloridos... Portal do arco-íris...Toujours
Marcando as cores do céu estendidas sobre mim 
Território desconhecido, deixando de ser branco
Chuva engolindo a luz... Céu grafitado aparecendo

Maria José Sales Callado / 21.08.09

sábado, 10 de março de 2012

Fuselagem Azul
O ar estava carregado e denso
Céu limpo, com cheiro de chuva
Recobrindo com silencio os campos
Diante de mim, rios juntando-se além
Gostaria de fazer um looping rasante
Grande mergulho com minhas asas azuis
Avião de fuselagem azul, no tapete do céu
Biplano de cabine aberta, entre às nuvens
Planando nas manchas de óleo sobre águas
Dando ao mundo do rio um tom de coca-cola
Rio que serpenteia, se torce, se retorce por aí
Mais no final acaba sempre no mesmo lugar
O rio nunca muda... Somos nós que mudamos
Linha das águas, seguindo caminho do oceano
E onde termina o rio... E onde começa o mar
Que importa o caminho... refeito pelas águas
Quando a maré empurra você mais pra frente
Águas levando-me pra longe de novo e de novo!

Maria José Salles Callado / 18.11.10

sábado, 3 de março de 2012

Pedras Molhadas
Estou no meu barco
Convés escorregadio
Exposta á intempérie
Mais um dia de pesca

Visto capa impermeável
Botas altas de pescador
Leio na tábua das marés
Dia de conferir os ventos

Céu se abrindo, ventos fortes
Afasto-me quilômetros da praia
Território de pesca em mar aberto
Mar profundo... e de águas agitadas

Ondas grandes, com bóias oscilantes
Caminho de ilhas de pedras molhadas
Leito de pedras alisadas pelas ondas
Ás vezes uma gaivota passava voando 
Outras vezes... não havia movimentos

Fecho os olhos, e abro depois de vagar
Eu sou, e somos um mar azul sem limites
Brisa com gosto de sal, e cheiro de gente
Ilha não habitada... molhada do Atlântico
Nas águas do mar, o dia quase terminara

Maria José Salles Callado / 03.03.12
Foto: MJSC - Florianópolis/Brasil 2011

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Folhagem Única         
Uma janela na cabeça...
Árvores passando adiante
Rua de lascas de vidro polido
Caquinhos vermelho de vidro
O céu arqueando-se no azul
Sol redondo, tarde no poente
Ocupo-me, de muitas coisas
O queixo apoiado nas mãos
Toco de lápis roído na boca
Brinco de desenhar com dedos
Desenho o contorno da nuvens
As folhas trêmulas das árvores
A folhagem verde e amarelada
As forquilhas das árvores nuas
Desenho o espaço da felicidade
As falhas na percepção do amor
Amor o que é isto? Amor o que é?
É uma árvore de folhagem única
É andorinha atravessando o céu
É vento de verão feito para voar
É o vestido de flores vermelhas
É o silêncio depois da felicidade
É o amor queira ou não queira...
Cape Of Good Hope / South - African 2010
Maria José Salles Callado / 07.01.10

sábado, 18 de fevereiro de 2012

África Felina
África silêncio dos animais
Além do pára-brisa do carro
Tela da savana verde-menta
Cara a cara com o selvagem
Terra árida, e de abundância
Paisagem dos contrastes
Rastro dos grandes animais
Elefantes estalando orelhas
Guepardo surgindo do nada
Felino enigmático insaciável
Búfalo do chifre imprevisível
Leão kalahari, rugido poderoso
No incrível chamado da noite
Grito profundo subconsciente
Relembrando a nossa condição
De mortais, e de insignificantes
Antílope solitário no rasgar noite
Sentindo-se caçado e confrontado
Com horda predadora terrificante
Pássaros que voavam para ninhos
Emaranhados nas acácias brancas
Ritmo africano nostalgia selvagem
Continente beleza incomensurável
Retorno das nossas raízes negras

Maria José Salles Callado /13.01.10

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

África Mulher Planície
África um corpo rosto mundo
África mulher mais corpo do que rosto
Mulher da planície, extensão das savanas
Corpo negro do cheiro quente das estações
Rosto riscado de cicatrizes, de marcas rituais
Silhueta do corpo nu africano brilhando de suor
Caminhando ao sol pelos capinzais das planícies
Temporais trazendo raios ao negrume dos céus
Ventania envergando grandes árvores da aldeia
Vento passando debaixo da porta das choupanas
Apagando os lampiões... Os sonhos das crianças
Olhos esbugalhados sobre os matagais da savana
Silencio agudo, o mais assustador ruído do mundo
Animais selvagens sem destino, dia-a-dia da floresta
História de uma representação humana sem pinturas
Mulher africana, verdadeiro mapa de pessoas lá vividas
Vida, energia de moléculas a se unir e um corpo formar
Ibos e iorubas batendo pés no ritmo tribal dos tambores
Dançando na terra nos pequenos redemoinhos de poeira
Fazendo deuses de barro, e secando diante do forno céu
África o que seria? A planície negra espera do quase nada

Maria José Salles Callado / 12.11.08

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fotografias da Vida
Uma tarde de raios finos de luz
Tornando viva uma terra insípida
  Raios de sol na mais branca gaivota
Borrões de luz atravessando as folhas
Uma luz contra os troncos das árvores
Clareando o castanho de cascas rachadas
Correndo atrás das vegetações rasteiras
Das estradas que desaparecem na cidade
Cidades que se repetem, janelas iluminadas
Vulto no vidro de uma forma quase humana
Projeção na parede, uma impressão azulada
Uma armadilha de luz, fotografias do presente
Cópias não apagadas, das minhas recordações
Amor uma dimensão, profundidade e distância
Árvore de ramos altos, paisagem de um rosto
Estranha inclinação da folha frágil aos ventos
Foto em preto e branco, transição de imagens
Pedaços de papel rústico, fotografias da vida
a
Maria José Salles Callado / 16.10.10

sábado, 21 de janeiro de 2012

 Anjo Invisível                
Anjo errático na multidão
Genoma invisível dos anjos
Um rosto largo e simpático
Olhos tristes, cara pensativa
Cabelo encaracolado avermelhado
Nem alto nem baixo apenas anjo
Uma versão masculina feminina
Uma visão roubada de um sonho
Figura alada caída dos céus
Asas raspando á superfície terra
Anjo algo em mim, asas voo de mim
Dias suaves sem nuvens nem ventos
Reticulas de luz nas cidades e ruas
Anjos das ruas... Asas nas cidades
Anônimo que tinha cor da infância
Anjo invisível mais respirando
Respirando e pensando alto
Pensando e sentindo a vida
Vida vezes sem conta intensa
Os muitos céus acima de mim

Maria José Salles Callado / 10.06.10

Meu Eu mais Eu


Hoje sou, muito mais do  que ontem
E equívocos mandam sonhos embora
Hoje sou, permito escutar e duvidar
E o que mais posso dizer? Palavras...
Hoje sou, meio inteira, meio partida
E sou, recomeço da volta terra firme
Hoje sou, integração meu eu mais eu
E chego, e penso na virada dos ventos
Hoje sou, tempestade vento norte e sul
E sou, extensão de areia, pisada de mar

Mancha branca deixada pelo sal nas ondas
Hoje sou, areia marcada de algas e conchas
Eu sou, grande caís, barco e ancoradouro...


Maria Jose Salles Callado / 23.09.07

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estação Vida

Vida estrela suspensa no azul
Amizade estação de terra batida
Dia que cheirava ao quente verão
Céu descendo às esquinas das ruas
Rua encontro e termino dos caminhos
Vento... Brisa... Chuva... Tempestades
Luzes vermelhas e faiscantes... Flashes
Nuvens de verão, borboletas de inverno
Casa cada tijolo da parede mais um dia
Um pote de geléia com flores do campo
Caixote dourado dos vínculos do outono
Caminho fundo branco da rua do inverno
Primavera, as abelhas trabalhando flores
Estação... Do silêncio brotar, e florescer
Explosão colorida, primavera das flores
Vida... Fantasia da flor, do sempre florir

Maria José Salles Callado / 09.09.09

sábado, 7 de janeiro de 2012

Pedras Respiradas
Desço degraus que me levam até o cais
Com a brisa que cola meu jeans ao corpo
Polegares no bolso, apoiada no parapeito
Cabeça inclinada para trás, e para o lado
Ergo os óculos de sol... até a minha testa
Observo: amontoado de casarios brancos
Vilas construções cor de sorvete de coco
Paredes lixadas pelas marés, orifícios de
pedras mornas...  respiradas pelas ondas
Um pequeno café fustigado pelos ventos
lugar com varanda, com vista para o mar
Mistério de distâncias... quase imprecisas
Cores primárias, grandes-angulares, mares
Desembarco no último raio de sol da tarde
Digressão simplesmente:- i-na-cre-di-tá-vel
Porque nós somos... nós. “Somos parênteses”
Pontos de interrogação... Pontos de exclamação
Carpe diem, dias onde vivemos, vêm nos acordar
  
Maria José Salles Callado / 07.01.12

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rosto Marcado de Sol
Andarilho rosto marcado de sol
Quem era ele? De onde viera?
Da terra que azulava de cima
Andante de mochila nas costas
Carregada das estradas da vida
Arrancadas iluminadas pelo sol
Garoto indomável, cabelo curto
Nariz reto, olhos da cor de café
Queixo quadrado, furtivo sorriso
Usando jeans, brinco nas orelhas
Escondido em enorme camiseta
Com jeito sorrateiro de chegar
Disparando em meio aos ventos
Coração inteiro, duas metades
Amor dualidade na caminhada
Emoção liquida se misturando
Amor que houve e haveria de
acontecer dias antes de nascer
Corrida livre, em estrada aberta
No céu lá no alto, gaivota branca
Grasna o amor! No azul do verão!

Maria José Salles Callado / 28.05.10

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Exposta ao Vento
Perco fôlego, deixo-me levar
Respiro fundo, olho ao redor
Silêncio compulsivo sufocante
Respiro... meus pensamentos
No ar que está em todo lugar
Mudando de cidade em cidade
Sopro do outro lado do equador
Sou mais, um gene impaciente!
Buscando querendo o quê mais?
Palavras voam da minha cabeça
Ligando meu interruptor invisível
Dentro de mim, um oceano inteiro
Ondas que correm flashes rápidos
Passo meus olhos na minha mente
Exposta ao vento, como um barco
Espero estrelas voltarem aos céus
Estendo meus braços para tocá-las
Subo escadas no ar... feitas do nada
Muito além de mim, na noite escura
Maria José Salles Callado / 08.12.11

EU Existo
Eu me existo em dias claros
Sol penetrando-me existência
Existência, flashes eletrizados
Dias que são dias onde eu vivo
Solidão que se levanta de mim
Tudo aberto... Vida itinerante
Espaço amor indistinto demais
Qualquer idéia, tecida na pele
Sonhos azuis, que me invadem
Amor existindo, e me existindo
Chama espalhada, sem controle
Fogueira muito próxima de mim
Amor não me diga! Pode até ser
Como deixei isso me acontecer?
O que fazer? O que não fazer?
Não sei nada, nada sei, eu sou
Quando eu sou... Eu me existo!
Maria José Salles Callado / 08.12.12