quarta-feira, 17 de maio de 2017

VENTO ASSOBIO VIDA

Vento assobio
canção vida em meio do amarelado milharal
Nuvens brancas espichadas, grandes cordas esticadas céus 
Historia do espantalho, coração de palha afugentando amor
Solitário abandonado, roupas rasgadas, elegância desbotada
Espantalho largado aos ventos, trapos remendos costurados
Nos campos figura de mulher, imagem de poeira desenhada
Silhueta pouco definida, quase negra, de cinza verde vestida

Era uma vida paralisada, acompanhando o passar dos ventos
Pensamento apertado, sorriso faminto, microcosmo pedaços

Céu chuva de meteoros, pó de estrelas iluminando caminhos
Grande espaço vazio, ténis de sola grudada de grãos de areia
Bicicleta azul sem rodas, correndo sem saber bem para onde
Pedalando direção incerta indeterminada, muitos dias noites
Correndo de lugar nenhum, para o lugar a se perder ao acaso
Ventos provocando nas sombras movimentos, quase humanos
Recordações imprecisas seguradas, e escapulidas da memória
Era uma vez, história do Espantalho que nunca foi contada

Maria José Salles Callado / 23.06.08

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Um comentário:

Lilian disse...

Acho que dentro de todos nós existe um espantalho..Nos paralisamos diante de alguns fatos, preferimos a inércia do que acompanhar o rumo dos ventos...Deixamos de amar , com medo de sofrer...Nunca saberemos a sensação de adormecer num sonho de vaga lumes,ou mesmo apreciar o voô sem destino , nem mesmo ver nossa face iluminada pelo aro -íris...
Mas o velho guardião com seu véu na neblina é capaz de viver nesse sonho de asas, voando no assobio dos ventos, vivendo num jardin de estrelas...
Pobre humanidade, não somos capazes de contar o quanto é grandioso ser seduzido pelas cores da manhã....Nunca estamos de braços abertos, ficamos reclusos em nossa egocentria...

Parabéns, com muita delicadeza você foi capaz de dar vida ao "Espantalho"...

Beijos